Análise dos Sistemas Audiovisuais

15.8.03:::
 
ATENÇÃO PUCQUIANOS!

Estudantes de jornalismo do período noturno da PUC-SP! Agora, estou prestando "assessoria" para alguns professores no meu blog, heheheh. Bom, falando sério, recebi o programa do Wagner Barreira, de Teoria do Jornalismo, para colocar no ar. E a Mariza Werneck enviou a lista de autores brasileiros da Nani, para que escolhamos o livro q leremos e sobre o qual redigiremos a primeira resenha crítica do semestre. Os links estão do lado esquerdo: [teo.jorn.] e [nani], respectivamente, lá no Herege. Ah, e desculpem-me pelo tema "off-topic". Falowz!



[postado por Joao Marinho - 8:42 PM]

1.7.03:::
 
Para ninguém dizer que nunca postei nada, quero desejar boas férias e boas notas para todos, heheheh. E, pessoal, depois vamos postar uns textos menores... Bjs para quem quer, abraços pros demais. Falei!
[postado por Joao Marinho - 9:44 PM]

30.6.03:::
 
Esta matéria é ótima. E viva as cópias!


10. Consumidor é indenizado por gravadoras devido a disco anticópias
Por Paulo Eduardo Neves


"É até louvável que as empresas que participam da cadeia de produção e comercialização de cds se preocupem com as fraudes e tentem minimizar que tal ocorra. O que não se pode conceber é que, a pretexto de evitar fraudes, as empresas passem a comercializar produtos que se tornem de difícil utilização por parte do consumidor."

Trecho da sentença do Juiz de Direito Paulo Roberto Sampaio Janguita (28/4/2003)


O cidadão carioca Paulo Henrique Andrade, funcionário público, 36 anos, infeliz comprador do disco com proteção anticópias dos Tribalistas, acaba de ganhar um processo no Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro contra as empresas EMI Music LTDA, Sony Music Brasil Ind. e Com. LTDA (responsável pela prensagem) e Monte Criação e Produção LTDA (empresa da Marisa Monte dona do selo Phonomotor). Não só já teve seu disco trocado por um que não tem a tecnologia anticonsumidor, como o juiz condenou as empresas a lhe pagarem uma indenização por danos morais de R$ 1.000,00. O disco, comprado legalmente, não funcionava no CD Player de seu carro, também comprado legalmente.

Se você acha que este processo é pouca coisa, as gravadoras não concordam. Para defender as multinacionais desta ação de baixo valor, se apresentaram nada menos do que o Vice-Presidente da EMI Music, Luiz Bannitz, e o Diretor da Sony, José Antonio Alves. Ou eles não têm mesmo muito o que fazer, ou estão desesperados com a abertura de precedentes.

A vitória foi apenas em primeira instância. As empresas recorreram e um novo processo será julgado daqui a uns 4 meses pela Câmara Recursal. Após o processo, o autor da ação soube que mais discos com essa tecnologia estão sendo produzidos. Se comprar um disco pela Internet, onde tudo é vendido como CD, só saberá se poderá ouví-lo em seu carro quando testar. Ele então entrou com uma segunda ação cível, desta vez incluindo a Renault entre os réus, onde exige a troca dos CD player de seu carro e uma indenização pela depreciação do veículo. Beleza! Só acho que a Renault não tem culpa alguma, eles estão vendendo um aparelho que obedece à especificação de CD Audio feita pela Philips, são as gravadoras que desvirtuam este padrão para que os discos falhem nos CD-ROM dos computadores.

O impressionante no processo é a cara-de-pau das gravadoras. Eles mentem descaradamente, por exemplo, afirmando que somente nos aparelhos de duas marcas de automóveis acontece o problema. O que mais dá raiva é eles acharem que uma porcaria de avisozinho discreto nas capas dos discos é suficiente para alertar o consumidor. Os discos são vendidos em lojas de CDs (sem qualquer aviso nas da Internet), fabricados por fábricas de CDs, produzidos por gravadoras de CDs, ganham prêmio de melhor CD no Multishow, tocam em aparelhos de CDs, têm cara de CD, a própria EMI em seu sítio virtual anuncia como CD, mas na hora de encomendar os discos para a fábrica Sony exige que o logo de CD Audio seja retirado. Se isto não é propaganda enganosa e má-fé contra o consumidor, então minha mãe é um repolho.


Como ajudar?


Processe as gravadoras

Somente quando eles sentirem no bolso, pararão com estas atitudes anticonsumidor. Se você tem algum aparelho de CD onde estes discos não tocam, processe as gravadoras. Na verdade, estes discos funcionam com qualidade de som muito inferior em computadores com Windows, além de cercearem o direito de consumidor de fazer cópias pessoais, que a própria lei de direitos autorais reconhece. Qualquer um que tenha estes discos anticonsumidor pode entrar com uma ação. Não deixe de repassar esta notícia para seu conhecidos que tenham estes discos.

Para te ajudar, estou colocando nos comentários desta notícia as duas petições do Paulo Andrade em formato Microsoft Word. Isto facilitará em muito entrar com uma ação, pois nelas já têm os endereços e CNPJs das empresas, bastará adaptar o texto para seu caso.


Ajude o Paulo Andrade com mais informações

Ele ganhou apenas em primeira instância, as gravadoras estão recorrendo e já até alegaram má fé do autor da ação. A melhor defesa dele é mostrar que o problema é coletivo, atingindo vários consumidores. Se o disco não funciona em algum aparelho seu (ou o danificou), escreva para o Paulo Andrade dando seu depoimento, dizendo qual foi o disco e a marca e modelo do aparelho.


Exija uma ação do ministério público

O Paulo Andrade pediu para que o Juiz aplicasse multa às empresas, mas o pedido foi indeferido. Indignado, fez uma denúncia no Ministério Público (o cara é bom!). Para evitar que seja esquecida ou engavetada, vamos pressionar o ministério público. Escreva para o MP do Rio usando este formulário do sítio deles. Peça para eles darem mais atenção à denúncia, que foi protocolada como MPRJ 2003.001.12542.00. Recebendo muitas mensagens, o MP deve se mexer. A grande forma de acabar com este desrespeito aos consumidores é uma ação cível pública.


[postado por Tiago - 2:54 PM]

16.6.03:::
 
O RUIM NÃO É CRIAR UM MUNDO VIRTUAL, É HABITARMOS NELE.


Autor:
Luís Victorelli (*)


Bauru, SP, Brasil

Quando eu começo a falar sobre algum tema ligado à ciência, procuro sempre associar com algo que, de alguma forma você, leitor, já teve algum tipo de contato. Identificando situações aparentemente complexas com fatos presentes ou próximos do nosso dia-a-dia fica mais fácil compreendê-las. Essa é uma das ferramentas da divulgação científica e, vou te confessar, um dos meus melhores auxiliares nessa tarefa é o cinema. Não estou querendo dizer que os filmes sejam excelentes professores de ciência, ao contrário; às vezes sacrificam Newton e Einstein para salvar a mocinha. Seja como for, o cinema é um grande motivador para o gosto pelo conhecimento científico. É bem mais provável que, entre os seus afazeres de rotina, você vá até uma sala de projeções ou assista um filme na TV do que visitar os laboratórios da Nasa. E para nossa sorte o respeito à coerência científica, nas boas produções cinematográficas, começa a ganhar espaço.
E é justamente sobre "espaço" que gostaria de falar com você hoje. Está cada vez mais difícil compreender ou diferenciar o que é virtual do que é real. Muitas das nossas práticas se confundem e nem sequer percebemos. Veja este exemplo: Quando você vai a um caixa eletrônico paga uma conta ou faz uma transferência, através de toques no visor e o número da senha, esse dinheiro movimentado é real ou virtual?
Dinheiro é o papel moeda que você pega (e que está cada vez mais escasso no meu bolso) ou são dígitos que aparecem ou desaparecem (mais comum a segunda forma) de nosso extrato bancário conforme as nossas transações financeiras ou comerciais?
"Agora os objetos me percebem", escreveu Paul Klee ao comentar sobre as respostas que uma das "máquinas de visão" davam aos comandos do ser humano. Quando entramos num carro e fechamos o vidro e sentimos o conforto do banco, ouvimos a música preferida, ligamos o ar com a temperatura que desejamos e vemos a paisagem passar pela janela, não torna-se, no nosso imaginário, virtuais as imagens que nossos olhos percebem a partir do nosso mundo intra-veículo? Pelo menos até o primeiro buraco, sua resposta poderá estar propensa ao sim.
Se o virtual já habita o real imagine então o que não estará no mundo "essencialmente" virtual. Será que não procuramos encontrar nele a verdade que o mundo real não nos apresenta? A era da informatização veio como um divisor de águas nessa história. Viajar, aprender, experimentar, amar tudo ficou tão fácil, presente, "concreto" diante de um computador. Um paradoxo. O voltar-se para o "eu" me faz ser mais parte do todo. "- Tenho o mundo!". "Quanto mais nos servimos da simulação como meio de escrita e de invenção do mundo, mais corremos o risco de confundir o mundo com as representações que fazemos dele", diz o escritor e pesquisador francês Philippe Quéau. Responsável pelo evento anual "Imagina", sobre novas tecnologias de imagem, Quéau nos recomenda uma saudável inquietação com as conseqüências psicológicas que um excessivo consumo de um universo virtual cria.
O escritor francês lembra que uma tendência à desrealização toma todas as pessoas que se apegam demasiadamente à perfeição limpa das matemáticas ou ao rigor lúdico da informática. "Se não tomarmos cuidado, estas técnicas, em suma são particularmente perigosas, já que nos seduzem, pelo seu funcionamento `ideal` sem privar-nos de nenhumas das ilusões sensoriais sem as quais poderíamos rapidamente nos cansar". O preocupante é o tornar-se fácil esquecer o mundo real e refugiar-se no conforto flexível e eficaz que esses meios ideais de "idealização" nos mergulham. Ah, e já que eu falei de cinema, vale a pena assitir "O passageiro do futuro", o primeiro, por que o outro é uma m...ou melhor, não é tão bom quanto o primeiro. Boa viagem!


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(*) (*) Luís Victorelli é jornalista especializado em Divulgação Científica pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor do Curso de Jornalismo da USC e diretor de Jornalismo da TV Centrinho/USP.

[postado por Tiago - 4:48 PM]

5.6.03:::
 

Mais Matrix


Tá, eu sei que já falamos muito de Matrix, mas se está no programa do curso eu também quero dar o meu palpite.
Estava lendo uma reportagem em um site mexicano e vi um texto que utilizava um termo interessante para definir a tese filosofica proposta pelo filme. O termo usado foi "Materialismo Idealista" que seria uma contraposição ao "Idealismo Materialista".
Coloco aqui só o trecho final do texto e deixo o link pra quem quiser dar uma olhada na integra: http://www.reforma.com/ciencia/Articulo/299837/#nota
TEXTO:
"La trama de la película Matrix gira alrededor de una computadora que maneja la mente de los humanos y les crea la ilusión de que llevan una vida normal en el Siglo 20. El asunto recuerda a Berkeley, para quien todas nuestras sensaciones son implantadas en nuestra mente por Dios todo bondadoso. En cambio, Matrix es una computadora maligna que "ordeña" la energía de los humanos; sin embargo, por tratarse de una máquina material, no corresponde exactamente a la tesis de Berkeley, para quien la materia misma es una ilusión.

La tesis filosófica de que una estructura material, como una computadora, es la que produce imágenes en nuestra mente, podría llamarse materialismo idealista, al contrario del idealismo materialista de Descartes y Berkeley. De hecho, con tanta realidad virtual a nuestro alrededor, parece que ya estamos en pleno siglo del materialismo idealista."

[postado por Pedro - 3:46 PM]

4.6.03:::
 
Caros companheiros,

Fiquei estarrecido lendo no domingo último (01/06) as palavras de Élio Gaspari na Folha de São Paulo. "Bush cria Roma de mentira". Quem viu "Mera concidência" deve ter sentido a sensação de "deja vu" cada vez que a televisão mostrava imagens do fantastico resgate da soldado norte-americana no Iraque. Nesse texto, Gaspari desvenda toda essa encenação. Como o cinema fez "bem" ao Sr. Bush...

Parece que agora estão apertando o cerco do Sr. Tony Blair sobre os documentos falsos sobre as supostas armas químicas de Saddam. Será que podemos tem uma centelha de esperança que esse dois fabricadores (ruins) de imagens caiam em desgraça??
[postado por Mario Iughetti - 1:38 PM]

2.6.03:::
 
(Nem Tão) Simplismente Matrix

Em cenas muito mais frenéticas e recheadas de técnicas marciais, Matrix Reloaded se apresentou ao público como umas das seqüências mais eletrizantes do cinema e mercadológicas do cinema. Uma coisa porém deve ser respeitada. Os diretores pensaram em cada detalhe, até no programa que aparece na tela do computador, um software real chamado Nmap usado para achar uma porta vulnerável na máquina-alvo e acessá-la usando um bug do SSH descoberto em 2001.
A astúcia do roteirista fez com que o espectador esperasse ainda mais pelo último filme da trilogia para entender qual será o final do dilema vivido por Neo e a raça humana.
Confesso que o primeiro filme me surpreendeu mais com o questionamento de que o mundo é um simulacro.
Mas agora, ao assistir Reloaded esse dilema foi deixado um pouco de lado dando lugar a lutas cheias de efeitos e a uma Babilônia subterrânea prestes a ser invadida pelas máquinas.
Muito mais subliminar dessa vez, a mensagem de convivência das máquinas e do homem passa pela película temperado com um pouco do romance de Neo e Trinity.
Mas realmente a parte do filme que me deixou boquiaberto foi a aparição do personagem Arquiteto.
Apresentado como “o criador da Matrix”.
Peço licença para fazer uma análise muito particular desse personagem.
Vocês repararam no contraponto das roupas de Neo e do Arquiteto (Preta e Branca),
no controle remoto que revelava telas com imagens de toda a humanidade???
Criador. Quem é o nosso criador?? Um tema quase bíblico está sendo discutido em Matrix. Será que a Matrix necessariamente é um programa de computador?
Para provar o que estou dizendo o Arquiteto conta a Neo que ele não é o primeiro Predestinado,
que já existiram 6 antes dele. E que a humanidade já tinha sido aniquilado outras vez, que isso fazia parte do sistema.
Será que qualquer semelhança com a Arca de Noé é mera coincidência? Seria Neo Jesus Cristo a salvar a humanidade?
O personagem inclusive pode usar seu livre arbítrio para escolher entre o fim ou a continuação da humanidade.
Mas o que importa é que, a partir desse momento o filme ganha força e revela ao que veio.
A Matrix além de controlar a vida de todos nós, ainda prevê que rebeliões como a Zion aconteçam como parte de erros de um sistema simples como o Word, fazendo com que o episódio 1 da trilogia vá por água a baixo e a luta dos humanos vire uma infantilidade planejada pelos próprios pais.
É como se o filme sugerisse que de certa forma Deus faria o mesmo com os homens, ou, ao menos, com aqueles que Nele acreditam
O que me deixou intrigado foi a maneira como os diretores destruíram o episódio anterior
para construir um novo dilema para o último filme da trilogia.
Reloaded pareceu apenas uma forma mercadológica de se ganhar tempo para o que ainda estar por vir...como diriam no mundo dos espetáculos...it’s time for Revolution!

[postado por rafael - 11:41 PM]


 
Oi gente, essa é a primeira vez que participo do blog... acho que esse artigo é importantíssimo para nós e não pode passar em branco, especialmente por seu autor ser Ted Turner. Ele foi publicado ontem, no The Washington Post (reproduzido pelo Estadão). Beijos a todos, Marina

Domingo, 1 de junho de 2003

A mídia nos EUA: monopólio ou democracia?
TED TURNER
The Washington Post

Amanhã, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) deve adotar dramáticas mudanças de regulamentação que vão estender o domínio de mercado de cinco corporações da mídia que controlam a maior parte do que os americanos lêem, vêem e ouvem. Sou um grande acionista na maior dessas cinco corporações e ainda assim – falando só por mim e não pela AOL Time Warner – me oponho a essas regulamentações. Elas reprimem o debate, inibem novas idéias e impedem menores empresas de tentarem competir. Se essas regulamentações estivessem em vigor em 1970, teria sido virtualmente impossível que eu iniciasse a Turner Broadcasting ou, dez anos mais tarde, lançasse a CNN.

A FCC votará sobre várias propostas, incluindo aumentar a cobertura sobre quantas estações de TV podem ser propriedade de uma corporação e permitindo a corporações únicas ter estações de TV e jornais no mesmo mercado.

Se um jovem empresário de mídia estiver tentando começar seu negócio, hoje, sob essas regulamentações propostas, ele ou ela não poderiam comprar uma estação de TV UHF, como eu fiz. Elas estão todas compradas. Mas mesmo se alguém tentasse comprar uma estação de TV, isso não seria suficiente. Para competir, é preciso ter boa programação e boa distribuição. Atualmente, ambas estão com conglomerados que mantêm o melhor para eles mesmos e deixam o pior para os outros – caso eles vendam qualquer coisa para alguém. É difícil competir quando seus fornecedores são propriedades de seus competidores. Nós compramos a MGM e vendemos mais tarde a Turner Broadcasting para a Time Warner porque tínhamos pouca escolha. O grande estava ficando maior. O pequeno estava desaparecendo. Tínhamos de conquistar acesso à programação para sobreviver.

Muitas outras companhias independentes de mídia estavam sendo engolidas pela mesma razão – porque não tinham tudo de que precisavam sob o próprio telhado e seus competidores tinham. O clima após a esperada decisão da FCC de amanhã vai encorajar ainda mais a unificação e ser ainda mais hostil às empresas menores.

Independência – Por que o país deveria se preocupar? Quando se perdem empresas menores, se perdem grandes idéias. Pessoas que têm as próprias empresas são seus patrões. São pensadores independentes. Sabem que não podem competir imitando os grandes nomes; têm de inovar. Portanto, estão menos obcecadas com ganhos do que com idéias. Estão dispostas a correr riscos. Quando, com minha iniciativa, a Turner Communications (agora Turner Broadcasting) comprou sua primeira estação de TV, que na época estava perdendo US$ 50 mil por mês, meu conselho de diretores fez forte objeção. Quando a Turner Broadcasting comprou sua segunda estação, que estava num estado ainda pior do que a primeira, nosso contador se demitiu em protesto.

Grandes corporações de mídia estão bem mais focalizadas no lucro e com aversão ao risco. Elas às vezes confundem lucros de curto prazo e valor de longo prazo. Acabam com a programação local porque é cara e empurram a programação nacional porque é barata – mesmo se transmitirem algo contra os interesses locais e os valores da comunidade. Para uma corporação lançar uma nova idéia, é preciso que tenha o acompanhamento de executivos obcecados com ganhos trimestrais e assustados em ser demitidos por uma idéia que falhe. Muitas vezes, as corporações preferem ficar à parte esperando para comprar as empresas ou imitar os modelos dos empreendedores arriscados bem-sucedidos. (Duas grandes corporações recusaram meu convite para investir no lançamento da CNN.)

Essa é uma posição compreensível para uma corporação – mas, para uma sociedade, é como excesso de pesca nos oceanos. Quando as pequenas empresas acabarem, de onde virão as novas idéias? Nem essa tendência dá bom sinal para novas idéias em nossa democracia – idéias que vêm só de notícias diversificadas e de uma reportagem vigorosa. Sob as novas regulamentações, haverá mais unificação e mais compartilhamento de notícias. Isso significa demitir repórteres ou, em outras palavras, diminuir a força de trabalho que nos ajuda a ver nossos problemas e nos faz pensar sobre as soluções. Ainda mais preocupantes são os sinais alarmantes de que grandes corporações da mídia – com forte poder no mercado – poderiam abusar desse poder manipulando a cobertura das notícias no sentido de servir aos seus interesses políticos ou financeiros. Há sempre o perigo de que as organizações de notícias possam empurrar histórias positivas para conquistar amigos no governo, ou liberar histórias negativas sobre artistas, ativistas ou políticos que cruzam seu caminho, ou contar à sua audiência só notícias que confirmem visões estabelecidas. Mas o perigo é maior quando não há competidores para transmitir o lado da história que a corporação quer ignorar.

À margem – Naturalmente, as corporações anunciam que nunca iriam suprimir a expressão. Pode ser verdade. Mas não são suas intenções que importam. São suas capacidades. As novas regulamentações da FCC dariam a essas corporações mais poder para remover idéias importantes do debate público e é precisamente esse poder que as regulamentações deveriam impedir. Algumas organizações de notícias tentaram marginalizar oponentes da guerra no Iraque, desmerecendo-os como um elemento à margem do assunto. O papa João Paulo II também se opôs à guerra no Iraque. Quão mentalmente estreita nós transformamos a nossa discussão pública para que a opinião do papa fosse considerada fora dos limites do debate legítimo?

Nossa democracia precisa de um diálogo mais amplo. Como o juiz Hugo Black escreveu numa opinião de 1945: “A Primeira Emenda repousa sobre a suposição de que a mais ampla disseminação de informação possível de diversas e antagônicas fontes é essencial para o bem-estar do público.” Salvaguardar o bem-estar não pode ser a primeira preocupação de grandes companhias de mídia envolvidas comercialmente com o público. Seu trabalho é buscar lucros. Mas se o governo escreve as regulamentações de uma certa maneira, companhias buscarão lucros de uma maneira que serve ao interesse público.

Se amanhã a FCC decidir ir em outra direção, isso não deve ser o fim da discussão. Poderosos grupos públicos ao redor do espectro político se opõem a essas novas regulamentações e estão furiosos com sua falta de participação no processo. Pessoas que não se podem fazer ouvir numa arena muitas vezes encontram meios de ser ouvidas em outras. O Congresso tem o poder para alterar as mudanças de regulamentação. Membros de ambos os partidos se opõem às novas regulamentações. Isso não acabou.

Ted Turner é fundador da CNN e presidente da Turner Enterprises Inc.


[postado por Marina - 1:03 PM]


 
Caro Aléssio,
Conforme combinamos nas primeiras semanas de aula, o BLOG do curso não é um espaço destinado às reclamações dos alunos em relação ao curso de ASAV, nem para resolver questões burocráticas. Para isso existem outros meios de comunicação. O WEBLOG é um espaço de troca de informações a partir do conteúdo sugerido para o curso e dos desdobramentos das discussões e reflexões conduzidas em sala de aula, que podem envolver os textos e os vídeos/filmes analisados.
Se não há nada que te incentivou a entrar "nessa coisa" foi porque você ignorou solenemente o curso (entre no item AVALIAÇÃO do site e leia o item 4).
Não me interessa "ferrar" ninguém, muito menos carimbar os alunos com um número. Só gostaria que eles se dessem ao trabalho de refletirem minimamente a partir dos temas sugeridos (e há várias maneiras de fazê-lo, inclusive me entregando um texto via e-mail, se não quer "perder tempo" com discussões que fogem à tua "área de interesse").
Você entrou no blog e se limitou a reagir em função do que leu, ao invés de construir, criar, propor uma leitura a partir de algum fenômeno. Esta é que é uma postura arrogante. De resto, como saber se você é ou não arrogante se não se apresentou durante o semestre inteiro?
O filme "Matrix", assim como outros, faz parte do nosso programa. Se topou entrar no curso você tinha que ver sim esse e os outros filmes propostos. Mas se o teu texto é um desabafo em relação ao curso, além de não ser este o espaço adequado para explicitá-lo, você encontrou a pior maneira de expressá-lo.
Você usa a expressão "não há nada que me incentive a acessar essa coisa". Isso me parece revelador. Em breve discutiremos um texto de Gilles Deleuze, "Post-Scriptum Sobre as Sociedades de controle", no qual ele lembra que "muitos jovens pedem estranhamente para serem "motivados", e solicitam vários estágios e formação permanente; cabe a eles descobrir a que estão sendo levados a servir, assim como seus antecessores descobriram, não sem dor, a finalidade das disciplinas".
Para terminar: as diferenças só nascem dos paradoxos e não existe debate construtivo a partir da demolição gratuita, assim como do elogio à ignorância.

[postado por Silvio - 11:32 AM]

30.5.03:::
 
Nunca assisti esse filme. Acho uma perda de tempo ficar discutindo apenas isso. Dessa maneira, não há nada que me incentive a acessar essa coisa. Se isso for contar na minha nota, eu tô ferrado. Não assisto muitos filmes. Ainda mais esses de hollywood. Desculpem! Devo parecer um pouco arrogante. Quem me conhece sabe que não sou. Mas não estou vendo nada de bacana em fazer isso. Admiro vocês pelo interesse e pela boa vontade, mas essa não é a minha área. No quesito cultura, sou um ignorante confesso.
Mesmo assim, acredito que as diferenças são construtivas, ajudam o debate e fortalecem a democracia.
Um grande abraço e fiquem com Deus!
[postado por Alessio - 4:00 PM]

19.5.03:::
 
Muito Além de Efeitos Especiais

Bullet time é uma inovação tecnológica em que o momento é congelado e vemos o tempo na velocidade da luz ou do som. O impacto dessa novidade causou furor entre os admiradores de filmes de ficção. Ficção? Em Matrix, o virtual não se opõe ao real, mas sim aos ideais de verdade, que são a mais pura ficção. No tempo de um disparo, alguém salta e o cronômetro pára. A câmera rodopia em 360º e balas cortam uma atmosfera fluida – Paul Virilio preconiza que a velocidade é uma forma de iluminação.
Além de render milhões de dólares à Warner, o filme, idealizado pelos irmãos Wachowski, revela surpresas e novos paradigmas. Nada é gratuito. O que é virtual? A voz de fundo de Pierre Lèvy é a trilha sonora de Matrix: o movimento da desterritorialização nos enxertou no hipercorpo da humanidade onde pensamos reunidos e dispersos no hipercórtex das nações, a nova morada do gênero humano. Matrix é o ciberespaço, onde, "no limite, só há um computador cujo centro está em toda parte, hipertextual, vivo, virtual, inacabado, um computador de Babel", profetiza Lèvy.
Para viver o papel de Neo, Andy e Larry Wachowski exigiram que Keanu Reeves lesse Baudrillard e se apropriasse do conceito da estética do simulacro enquanto desaparição do real. O livro X de Platão trata justamente da arte e fica clara sua hostilidade ao simulacro quando "sacrificam-se as pro-porções exatas para substituí-las pelas proporções que dão ilusões". Os irmãos de Illinois engendraram um laboratório conceitual lúdico, amalgamando a moderna teoria da informação com a filosofia epistemológica.
A idéia central do filme remete à busca da verdade ou do discernimento entre o mundo sensível e o mundo das idéias. Matrix é metalinguagem: é a Alegoria da Caverna futurista, que serve de instrumento para desvendarmos o filme. Na Caverna de Platão existem pessoas morando desde a infância presas por correntes. A realidade é feita de sombras projetadas no fundo da caverna consistindo para eles o único universo conhecido. A Alegoria é a metáfora de como percebemos o mundo: estamos todos prisioneiros no mundo sensível sem acesso ao mundo das idéias onde existem os seres e objetos em sua di-mensão completa.
É Sócrates quem vai narrando a fábula para Glauco. "Se libertassem um dos presos e o forçassem imediatamente a se levantar e a olhar para a luz", ofuscado, ele não conseguiria reconhecer os objetos dos quais só conhece as sombras. Em Matrix, Neo é resgatado de sua "prisão" para enxergar com seus próprios olhos o que é real, sua vida e o mundo. Depois da ajuda, saindo da "caverna", rompendo com as trevas, o prisioneiro, assim como Neo, vai se acostumando à luz. Vai sendo capaz de "encarar a luz da fogueira, os objetos fabricados, a luz do sol refletida nas águas e na lua, até tornar-se capaz de olhar de frente o próprio sol.
O Bem é um sol invisível, epistêmico, que ilumina o homem sábio – é o Deus platônico. Para ele, a luz é a metáfora visual do conhecimento. Algo como o Espírito Santo que desce dos céus, em Pentecostes, em forma de línguas de fogo, enchendo de sabedoria os apóstolos. Não é fortuitamente que a personagem capaz de abalizar as suspeitas de Neo chame-se Trinity. É Platão dialogando com Matrix.
Neo sente que há algo errado com o mundo, mas não sabe o que é. Tri-nity o leva para Morfeu que o ajudará a encontrar as respostas. Assim como os habitantes da Caverna estão prisioneiros no mundo sensível, sem consciência dessa situação, Neo descobre que a Matrix é um programa que fabrica a "realidade". Na verdade, somos escravos encasulados servindo de pilha, fonte de energia para as máquinas. A inteligência artificial assumiu o controle depois do holocausto final. Morfeu é o líder de um grupo que se libertou de Matrix e tenta salvar a raça humana. Matrix são as sombras projetadas no fundo da caverna.
Neo, à semelhança dos prisioneiros acorrentados da Caverna, primeira-mente toma consciência de que vive no mundo das ilusões, dos sentidos, das sombras, para só depois adquirir um conhecimento mais profundo a respeito das verdades fundamentais. Aqui está o cerne da questão: que tipo de lição Neo espera obter que o leve de encontro ao Bem platônico? É Sócrates quem oferece a chave desse caminho por meio do autoconhecimento, da subjetivi-dade – "Conhece-te". Morfeu revela-se o Sócrates incomodador instigando seu pupilo Neo (Glauco) a dar os primeiros passos para descobrir a verdade sobre si mesmo. "Tudo o que eu ofereço é a verdade", diz ao descerrar o véu da ilusão diante dos olhos de Neo.
Acreditando ser ele o escolhido, Morfeu o liberta e juntos vão consultar o oráculo. Essa cena é imediatamente associada à "Ciência e Missão de Só-crates". Querefonte arriscou uma consulta ao oráculo de Delfos: pergunta se havia alguém mais sábio do que Sócrates. "Respondeu a Pítia que não havia ninguém mais sábio." Questionado sobre esse fato, Sócrates parte, investigan-do junto daqueles tidos como sábios, a fim de rebater o oráculo. "Cumpria-me, portanto, para averiguar o sentido do oráculo, ir ter com todos os que passavam por senhores de algum saber". "Só sei que nada sei", diz Sócrates.
A Pítia de Neo revela que ele não é o messias. Porém, para alguém que não acredita em destino, ela só está dizendo o que ele quer ouvir: você não é o predestinado, você poderá ser especial pelas suas obras. Para Sócrates, somos o que fazemos, porque o que fazemos é o que nos faz.
A Alegoria e o filme comungam um conceito pedagógico importante de se salientar. A estratégia socrática de gerar um desequilíbrio é aplicada ao se ensinar as mais básicas e fundamentais verdades. O método socrático incita ao reconhecimento da "atopia", algo estar fora de lugar, o estranhamento, a dúvida. A confusão que o líder do grupo causa em Neo é a mesma que Sócrates produz em seus interlocutores. Para Glauco, os prisioneiros da Caverna são muito estranhos. Para Jorge Cláudio Ribeiro, essa estranheza é fruto de nosso conhecimento sombrio. Glauco, Neo, todos nós, somos estranhos a nós mesmos, inseridos num mundo de contornos imperfeitos.
É impossível não se render ao fascínio pelo tema explorado em Matrix. Os irmãos Wachowski se refestelaram em Platão. E, como em todo filme de ficção científica, primaram também pelos detalhes na interpretação de um mundo futuro. O contraste entre o real, sua atmosfera sombria, devastada (iro-nicamente muito semelhante ao interior da caverna da Alegoria), e o virtual, o mundo digital esverdeado como as telas de computador, evocam um novo paradigma: "A idéia do fim da ilusão também não é uma ilusão?", provoca André Parente em O Virtual e o Hipertexto. Em Matrix, a imagem não é pensada como representação da realidade. Pelo contrário: o real só existe em função do que a imagem permite visualizar.
Em que sentido vivemos toda a potencialidade de nossas vidas, adqui-rimos um conhecimento verdadeiro reconhecendo as cavernas sob nossos pés, fazemos as perguntas certas? Neo precisa libertar sua mente e para isso Morfeu propõe todas essas questões. A ilusão está em todo lugar, seja como ideal de verdade, seja como fim da ilusão. "Só nos resta escolher como nos coloca-mos", elucida Parente.
A fábula da Caverna tem uma grande moral: só a educação tem o poder de libertar os prisioneiros do mundo das sombras, das sensações, das incerte-zas guiando-os ao mundo das idéias perfeitas, do conhecimento.

[postado por Mario Iughetti - 9:31 AM]

16.5.03:::
 
Mudanças na Matrix

Não, Bruno, não estamos nem um pouco distantes da Matrix. Aliás, vivemos numa. E, se a cultura - um “sistema de significações essencialmente envolvido em todas as formas de atividade social” (vide texto de André Larcher abaixo) - é esta Matrix, este sistema de convenções, então o que pretende a banda Blur é modificar a Matrix ocidental no que diz respeito ao Iraque.
Segundo o Estadao.com (leia nota abaixo), a banda vai gravar seu novo álbum no Iraque e quer, como isso, ajudar a “mudar a imagem da cultura iraquiana no Ocidente”.


Blur vai gravar novo disco no Iraque

Nova York - O Blur quer fazer música no Iraque. Damon Albarn, o líder da banda, disse que o próximo álbum deve ser gravado em Bagdá. O cantor, que nos últimos tempos fez gravações no Mali e no Marrocos, disse que adora a música iraquiana e acha que o trabalho ajudaria a mudar a imagem da cultura islâmica no Ocidente. Em entrevista ao semanário inglês New Musical Express, ele também aproveitou para alfinetar os integrantes do Oasis, de quem é inimigo público há muito tempo. "Dou risada quando vejo o quanto eles são obcecados pelos Beatles e bloqueiam todas as outras influências", disse ele. "Até os Beatles deixaram a Inglaterra por um ano para conhecer a cultura indiana e voltaram com um discurso muito mais político."


[postado por Giuliana - 4:36 PM]

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